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Nova concessão pode mudar transporte de Curitiba

A nova concessão pode reorganizar o cotidiano de Curitiba

O edital da nova concessão do transporte coletivo de Curitiba coloca uma decisão importante em movimento. A Prefeitura e a URBS dividiram o sistema em cinco lotes, estimaram R$ 3,9 bilhões em investimentos e previram quatro novas linhas conectoras, além da integração temporal entre linhas.

Os números chamam atenção, mas não dizem sozinhos se o serviço vai melhorar. Para quem usa ônibus todos os dias, a avaliação será mais concreta: quanto tempo leva uma viagem completa, quantas conexões são necessárias, se o intervalo entre veículos é confiável e se o preço continua compatível com a renda das famílias.

O que precisa ser acompanhado A integração temporal pode facilitar deslocamentos que hoje exigem o pagamento de outra tarifa ou trajetos pouco intuitivos. O resultado dependerá das regras: duração do período de integração, linhas incluídas, forma de fiscalização e facilidade para o passageiro entender o sistema. Uma mudança vantajosa no papel pode ser difícil de usar se exigir muitas exceções ou informações espalhadas.

Também será necessário observar como os cinco lotes vão funcionar na prática. A divisão pode estimular uma gestão mais próxima das diferentes áreas da cidade, mas precisa vir acompanhada de padrões comuns de qualidade. A viagem não deveria ficar melhor apenas em alguns eixos ou bairros mais movimentados.

Ônibus elétricos são uma parte, não o todo A previsão de 250 ônibus elétricos entre 2027 e 2031 é relevante para reduzir emissões locais, ruído e dependência de combustíveis fósseis. Mesmo assim, a transição precisa considerar a origem da eletricidade, a infraestrutura de recarga, a manutenção das baterias e o destino dos componentes ao fim da vida útil.

Há ainda uma questão simples, mas decisiva: ônibus elétrico parado por falta de recarga não presta um serviço ambiental nem de mobilidade. Metas de aquisição precisam ser acompanhadas por indicadores de disponibilidade, frequência, acessibilidade e desempenho energético.

A concessão precisa ser verificável O edital prevê a entrega das propostas em 17 de novembro de 2026 e o leilão em 26 de novembro, na B3. Entre a publicação e a operação efetiva haverá tempo para detalhar contratos, metas e mecanismos de controle. É nessa parte menos visível que entram as perguntas que afetam o cotidiano: quais dados serão públicos, como as penalidades serão aplicadas e de que maneira os usuários poderão registrar problemas e acompanhar respostas.

A nova concessão não deve ser julgada apenas pelo tamanho do investimento ou pela quantidade de veículos elétricos. O teste será a combinação entre previsibilidade, cobertura, tarifa, conforto, acessibilidade e transparência. Esses critérios precisam aparecer em números acompanháveis, não apenas em promessas gerais.

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