Quando um filme interroga a memória, não apenas a ilustra
Quando um filme interroga a memória, não apenas a ilustra
Cinema como documento. A estreia televisiva de *SEMPRE*, de Luciana Fina, no programa italiano *Fuori Orario. Cose (mai) viste*, merece atenção por uma razão simples: não trata a História como cenário decorativo.
O filme trabalha com materiais digitalizados da Cinemateca Portuguesa, da RTP e de cinema amador para revisitar a passagem da ditadura à democracia e a forma como fomos construindo uma memória coletiva. Não é o mesmo que abrir um arquivo e procurar uma prova; é confrontar imagens, silêncios e montagens, perguntando quem ficou dentro da narrativa e quem ficou de fora.
Uma emissão com contexto Será transmitido na madrugada de 26 para 27 de julho, às 02h30, hora de Roma, e ficará disponível durante 30 dias na RaiPlay. A [Cinemateca Portuguesa] anuncia assim uma circulação internacional para um filme profundamente ligado à experiência portuguesa.
Convém desconfiar das imagens antigas quando parecem falar sozinhas. Também elas foram escolhidas, conservadas e agora remontadas. É precisamente nessa distância entre o acontecimento e a sua representação que a educação histórica pode começar; não para suspeitar de tudo, mas para fazer perguntas melhores.