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Como patinetes afetam acessibilidade em Curitiba

Patinete na calçada não é só desorganização: é uma barreira para quem precisa do piso tátil

Eu gosto da ideia de ter mais uma opção para percorrer trechos curtos em Curitiba. Para quem vai ao Centro, um patinete pode resolver aquele pedaço entre o ônibus e o destino. Mas comecei a reparar nas fotos e nos relatos sobre os veículos deixados atravessados em calçadas, especialmente perto de piso tátil, e a conversa muda bastante de tom.

O problema não termina no fim da corrida Segundo a reportagem, o 156 já tinha recebido 61 reclamações sobre o serviço, principalmente por estacionamento irregular. A Urbs também criou bloqueios automáticos na Rua XV de Novembro, no Passeio Público e nas praças Rui Barbosa e Osório depois de reclamações e infrações de usuários.

Posso estar simplificando, mas me parece que o desenho do serviço tratou bem da circulação do patinete e ainda está aprendendo a tratar do momento em que ele fica parado. O usuário encerra a viagem, mas a calçada continua sendo de todo mundo.

Para quem enxerga, um obstáculo pode parecer pequeno O Instituto Paranaense de Cegos chamou atenção para patinetes bloqueando calçadas e pisos táteis. Isso é diferente de encontrar uma bicicleta encostada fora do lugar ou precisar desviar de um saco de lixo. Quem usa o piso tátil depende daquela faixa para se orientar. Um objeto no caminho pode causar queda, desorientação ou obrigar a pessoa a ir para perto dos carros.

A gente costuma avaliar a acessibilidade pela largura da calçada, pela existência de rampa ou pela conservação do piso. Só que uma calçada acessível no papel deixa de ser acessível quando vira estacionamento improvisado.

O que eu esperaria das empresas e da cidade Acho razoável exigir áreas muito claras para deixar os patinetes, com fiscalização que realmente tenha consequência. Também ajudaria mostrar no aplicativo, antes do início da viagem, onde o veículo pode ser estacionado e bloquear o encerramento se ele estiver ocupando piso tátil, rampa ou passagem estreita.

A prefeitura, por sua vez, precisa acompanhar os pontos com mais problemas e publicar os dados de um jeito simples. Não basta criar uma área de bloqueio depois que as reclamações acumulam. Talvez seja necessário testar estações físicas em locais de grande movimento, mesmo que isso reduza um pouco a ideia de deixar o patinete em qualquer canto.

Mobilidade nova, regra antiga Não sou contra patinetes. Ando de bicicleta e sei como é bom ter alternativas para trajetos curtos. Mas mobilidade não é só conseguir chegar mais rápido. Também é conseguir caminhar sem disputar espaço com veículos largados no caminho.

A discussão local está sendo útil justamente por mostrar esse detalhe. Se o serviço continuar, ele precisa ser conveniente para quem usa e seguro para quem nem escolheu participar dele.

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