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como o som muda um vídeo de skate

como o som muda um vídeo de skate

O som do skate também filma a manobra

Tem vídeo de skate que funciona mesmo quando a imagem não está perfeita. A câmera treme, o enquadramento escapa um pouco, o céu fica branco. Mas se o som entra certo, o corpo entende o que aconteceu antes de ver tudo.

O primeiro contato da lixa com o chão tem um estalo seco. Depois vem o raspado do tail, o impacto da aterrissagem e aquele meio segundo em que a roda parece procurar direção. Esses sons dão peso para a manobra. Sem eles, um ollie alto pode parecer só uma imagem rápida passando na tela.

Gravar sem apagar a rua Quando filmo, tento não deixar a música cobrir completamente o ambiente. O trânsito, uma porta metálica fechando, alguém chamando do outro lado da calçada: tudo isso situa o vídeo. Não é só textura. É a prova de que a manobra aconteceu naquele pedaço específico da cidade.

Por isso o microfone do celular costuma falhar nos piores momentos. Ele comprime o impacto, estoura quando a roda bate forte e transforma o rolamento em um chiado contínuo. Às vezes dá para melhorar escolhendo uma posição mais baixa, perto da linha da manobra, sem ficar no caminho. O áudio muda bastante quando o celular não está apontado para o vento.

O corte depende do impacto Na edição, não gosto de cortar exatamente no momento da queda. O som da aterrissagem pode começar um pouco antes do corte e terminar depois. Esse atraso pequeno deixa o movimento mais físico, menos limpo. Também ajuda a não transformar cada tentativa em uma propaganda de si mesma.

Uma tentativa que quase deu certo pode ter um som melhor do que a manobra completa. O raspado saiu bonito, a roda bateu torta, alguém riu atrás da câmera. Às vezes esse fragmento conta mais sobre o spot do que um clipe perfeito com música alta por cima.

No fim, filmar skate é registrar uma sequência de impactos. A imagem mostra o caminho. O som entrega o chão.

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