Como fazer manutenção básica da bicicleta
A bicicleta não avisa duas vezes antes de pedir manutenção
Na oficina, vejo muitas bicicletas chegarem já com problemas que começaram pequenos: uma corrente a saltar, um travão a chiar, um pneu a perder ar devagar. A pessoa continua a pedalar porque ainda dá para andar. Depois aparece uma peça torta, um aro gasto ou uma corrente seca a fazer barulho em cada esquina.
Não é falta de cuidado. Muitas vezes é só não saber o que observar. E manutenção não precisa de ser uma coisa complicada, nem uma conversa para fazer alguém sentir-se mal por não entender de mecânica.
O meu teste de cinco minutos Antes de sair, especialmente se a bicicleta é usada todos os dias, faço esta verificação rápida:
- Aperto os travões e vejo se as manetes não encostam ao guiador. - Levanto cada roda e confirmo se gira sem ficar a roçar no travão ou no quadro. - Carrego nos pneus com os dedos. Se estão muito moles, acrescento ar antes de pedalar. - Seguro o guiador e tento mexê-lo. Não deve haver folga. - Olho para a corrente. Se está muito seca, com ferrugem ou cheia de areia, precisa de limpeza e óleo próprio. - Confirmo se as luzes e os reflectores estão no lugar, sobretudo quando volto para casa mais tarde.
Este teste não substitui uma revisão, mas ajuda a encontrar sinais antes de eles se transformarem numa despesa maior.
O que não vale a pena fazer Um erro comum é colocar óleo em tudo quando aparece um barulho. Óleo na corrente pode ajudar, mas óleo nos travões, nos aros ou nos pneus pode deixar a bicicleta perigosa. Também não gosto de apertar parafusos com toda a força. Cada peça tem o seu limite, e um parafuso demasiado apertado pode estragar a rosca ou deformar uma peça leve.
Outro hábito é esperar que a corrente fique completamente preta e áspera. Quando entra muita areia, ela começa a gastar os dentes da transmissão. A bicicleta ainda anda, sim, mas o conserto deixa de ser apenas uma limpeza.
Uma rotina que cabe na semana Para quem usa a bicicleta para ir ao trabalho, ao mercado ou levar crianças, eu faria assim: pressão dos pneus e travões uma vez por semana, limpeza da corrente quando houver muita poeira ou depois de chuva, e uma revisão mais completa de tempos em tempos. Quem pedala em ruas com areia, buracos ou muita água deve observar a bicicleta com mais frequência.
Na minha opinião, a melhor manutenção é aquela que a pessoa consegue repetir sem medo. Não é preciso decorar nomes de todas as peças. Basta aprender a reconhecer folga, ruído, desgaste e falta de ar. A bicicleta costuma avisar. O problema é que nós, muitas vezes, só escutamos quando ela já parou.